O STF cumpre a lei, assim como todos os poderes constituídos cumprem a Constituição.
As narrativas criadas para fazer o povo acreditar que as instituições estão agindo de forma ilegal fazem parte do jogo político.
Se não vejamos: a reclamação dos políticos é de que o STF não cumpre a Constituição brasileira, mas quando o STF aplica suas regras no espectro da direita, a esquerda acha ruim, e quando o jogo é invertido, a reclamação muda de lado.
Na verdade, o que o STF faz é ter o rito próprio para aplicação das leis, assim como o Poder Executivo tem o seu próprio rito na aplicação da mesma lei e o Legislativo, por sua vez, tem suas regras próprias.
O rito diferente não quer dizer que a lei não esteja sendo aplicada.
Quando um político desvia recursos públicos usando a própria lei, ele, na verdade, formaliza um processo com um rito errado.
Quando um juiz analisa o rito processual desse desvio de recurso, ele aplica o rito legal de acordo com o entendimento de outro poder: o Judiciário.
Quem cria os ritos do Poder Executivo é o Legislativo, e quem cria o rito do Poder Judiciário é o seu próprio ente.
“O Poder Judiciário não é só um poder, devido à falha na Constituição, ele se tornou um Supremo Poder.”
O Poder Legislativo cria leis eleitorais, mas quem regulamenta essas leis é o Poder Judiciário.
O Poder Legislativo cria até emendas à Constituição, mas quem diz se vale ou não é o Poder Judiciário.
O Poder Executivo só tem poder de executar, mas não tem poder de fiscalizar, controlar ou se autojudicializar.
A corrupção financeira normalmente vem do Poder Executivo, por ser o gerente do orçamento, mas a corrupção da moral e dos bons costumes vem do Legislativo, que cria as regras — inclusive as orçamentárias.
A corrupção das leis vem do Judiciário, pois é ele quem cria a aplicação das regras.
Se o Poder Judiciário fosse cumprir as leis como querem todos os poderes, os presídios estariam lotados só de políticos e agentes públicos.
O povo não consegue mudar essa realidade, pois o povo é cego e analfabeto político.
Quando o assunto é importante, a grande massa não discute o tema, pois não entende ou é corrompida na sua maneira de pensar devido à propaganda da máquina dos interessados em manter seus quinhões.
No Brasil, reclama-se muito quando um Presidente da República vai nomear um ministro do Supremo Tribunal Federal.
O opositor ao presidente sempre alega que a escolha é pessoal e que a avaliação é feita pela amizade. Mas alguém acharia que um político indicaria para um cargo que possivelmente iria julgá-lo no futuro, um inimigo em posição de poder?
Então a falha não está no presidente, e sim na Constituição.
Mas, em uma eleição nacional, nunca se trata desse assunto, pois este é o tipo de tema que não interessa à grande massa.
“E tudo que não interessa à massa, interessa ao corrupto.”
Uma Constituição feita por leigos vai se tornar falha.
Uma Constituição feita por corruptos vai se tornar corrompível.
Uma Constituição feita por técnicos vai se tornar aplicável tecnicamente.
Na ciência do direito, a lei tem que ser reta e sem viés. Mas como a massa é orgânica, precisa que a regulação seja também orgânica.
Só que, como existe uma falha na Constituição atual, onde as leis e as regras também são técnicas, na hora da aplicação dessas regras, mudam-se os entendimentos de acordo com cada julgamento.
Isso, além de causar uma falha no mecanismo do sistema judiciário, é um prato cheio para a usurpação de poder.
Para resolver todos esses problemas, seria necessário uma geração inteira sendo educada de maneira técnica e pedagógica.
Mas a política corrompeu a educação, tirando os ensinos essenciais e colocando doutrinação ideológica.
Essa falha não se construiu dentro de um dia ou de uma década; ela foi fabricada pela mente perversa de quem deseja usurpar o sistema.
Os interesses de nações estrangeiras fizeram com que se dividisse um povo para que pudesse ser manipulado com mais facilidade.
Destruiu-se a alfabetização, mudando a língua de uma nação.
Depois, destruiu-se a cultura de um povo, trazendo diversidades culturais e miscigenando os ritos e ritmos dos povos originários.
Destruiu-se a autoestima de um povo, usando a máquina para inserir propaganda na mentalidade da nação, onde o estrangeirismo valeria mais do que o nacionalismo.
Usou-se a comunicação de massa para criar entretenimento na linha doutrinária, tentando fazer com que os costumes e a moral fossem, aos poucos, pervertidos.
Talvez o último golpe que o sistema corrupto tenta aplicar seja pervertendo a igreja, dividindo-a em grupos diversos.
A falta de inteligência dos líderes religiosos leva-os a brigarem entre si.
“Uma igreja só segue um político porque ela não tem política própria.”
É a lei da oferta e da procura.
Se um político corrupto convidar um pastor honesto para apoiá-lo, com certeza ele não aceitará.
Se um pastor corrupto procurar um político honesto para apoiá-lo, com certeza o político honesto não aceitará.
Mas, se um político honesto procurar um pastor honesto para apoiá-lo, com certeza esse pastor honesto aceitará.
E se um político corrupto procurar um pastor corrupto para apoiá-lo, com certeza esse pastor corrupto aceitará.
Deus faz essa pergunta a Amós: “Podem duas pessoas andarem juntas, se não estiverem de acordo?”
Por isso, não culpe o político corrupto que você vê ao lado de um pastor.
E nem culpe o pastor que estiver ao lado do político corrupto.
Apenas ore por eles e desvie-se deles.
Nessa mesma ordem, o eleitor corrupto não gosta do político honesto, pois o político honesto ofende a alma do eleitor corrupto.
O eleitor honesto quer igualdade de oportunidade, reivindicando o direito para todos.
O eleitor corrupto procura privilégios, facilidades, benesses e coisas para o seu próprio proveito.
Resumindo: o erro do STF está nas leis feitas por políticos corruptos, que são eleitos por eleitores corruptos.
E a corrupção não é exclusividade da direita nem da esquerda. Ela é genética e democrática, estando acessível a toda esfera de poder.
Autor: @GilenoCerqueira